quinta-feira, 5 de março de 2009

Sim, senhor ministro!...

Sim, senhor ministro!...

Vereador (PSD) da Câmara Municipal de Coimbra

0 GOVERNO, pela mão do Minis­tro da Economia, decidiu deslo­car para Aveiro mais um orga­nismo regional. Uma vez mais procurando esvair Coimbra. Desta vez, os infelizes contem­plados foram os funcionários da Direcção Regional da Economia.
Trata-se de uma decisão pro­fundamente injusta, obviamen­te irreflectida e estupidamente prejudicial para o país, para a região, e para Coimbra.
Em primeiro lugar porque nada justifica esta mudança a não ser a teimosia e a prepotên­cia de um ministro que confun­de os seus poderes com as suas responsabilidades e que vai retalhando o país ao sabor dos seus compromissos pessoais e políticos, negando a mais ele­mentar lógica de ordenamento do território e ceifando qualquer esperança numa organização administrativa do país e da regi­ão mais racional e eficiente.
Depois porque apenas cerca de 20% da actividade da DRE tem como "cliente" aquele distri­to. E nem o argumento do cresci­mento das solicitações se pode aplicar, porque também aqui o distrito de Coimbra (para men­cionar apenas um) cresceu mais que o de Aveiro.
Curiosamente, o senhor ministro deixa ficar em Coim­bra o laboratório, que é, precisa­mente, o organismo da DRE que tem como maior "cliente" o dis­trito de Aveiro. Ou seja, se hou­vesse a mínima racionalidade nesta decisão, quando muito seria o laboratório a deslocar-se para Aveiro e não os restantes serviços como determinou o senhor ministro.
Por outro lado, importa lem­brar que as instalações que a DRE ocupa foram construídas de propósito para acolher aquele organismo, e que a des­locação para Aveiro implicará o arrendamento de outras instalações, bem como avultadas obras de adaptação. Ora aqui está um "pequeno" luxo a que o nosso grandioso ministro se pode dar, em tempo de crise e de aumento dramático do desemprego.
Já não falo da evidente centra­lidade de Coimbra relativamen­te a Aveiro, sobretudo se tiver­mos em conta que o espectro de actuação da DRE Centro se estende a concelhos do distrito de Santarém e que alguns dos concelhos do distrito de Aveiro estão integrados na DRE Norte.
Para compor o ramalhete e deixar ainda mais evidente a irracionalidade desta decisão, diz-se que o ministério está a diligenciar no sentido de provi­denciar o transporte dos traba­lhadores de Coimbra para Avei­ro, dispondo-se a gastar mais uns milhares de euros em auto­carros (o que impedirá os traba­lhadores de terem horários dife­renciados, conforme as suas necessidades profissionais).
Na ânsia de satisfazer a sua clientela particular (não esque­cer que o ministro da economia encabeçou a lista de deputados pelo partido socialista no distri­to de Aveiro), ignora que está a transtornar a vida a cerca de 80 famílias e a subjugar os interes­ses do país e da região, aos seus interesses pessoais; numa lógica que não pode deixar de merecer o mais veemente repúdio e pro­testo por ser oposta ao que se espera de qualquer governante minimamente responsável.
E, se de um lado temos quem, uma após outra, vai retirando a Coimbra as sedes das mais diversas instituições (ao arbítrio de lógicas pessoais e políticas que não são aceitáveis), do outro temos quem condescenda e mantenha um silêncio cúmplice perante tamanha iniquidade.
Reagindo às minhas declara­ções na última reunião de câmara, o Dr. Pedro Machado distinto presidente da distrital do meu partido, atira com uma recomendação e com um comentário. Recomenda-me ele que leve o meu mandato autár­quico até ao fim e sentenceia que ainda não percebi que perdi as eleições para a distrital do meu partido há 4 meses.
Se a recomendação do Dr. Machado não me merece mai­or comentário, primeiro por­que não sou pessoa de deixar as coisas a meio e depois porque o próprio fez precisamente o contrário do que me sugere na sua terra de origem onde dei­xou o mandato autárquico por cumprir, já o comentário que fez, merece resposta
Primeiro para deixar claro que, se pensa que, com comentários destes, me inibe de fazer o que entendo ser o meu dever e o meu direito de cidadão livre e atento à realidade do meu país, da minha região e do meu concelho, está redondamente enganado, o Dr. Machado, e conhece-me pior do que julgava Continuarei a inter­vir semprequeaininhaconsciên­cia mo ditar e a minha vontade de o fazer o justificar, como sempre fiz até aqui, sem me importar com quem incomodo com o que digo.
Depois para dizer que, por absurdo que fosse, não me dar conta de ter perdido as eleições, tal não seria por si só muito gra­ve. O que me parece muito grave é ele não ter percebido que as ganhou!... E como tal, se espera, que seja capaz de erguer a sua voz contra atitudes injustas como esta Que tenha a argúcia de perceber que o deslocar das sedes dos pólos de competitivi­dade para Aveiro não corres­ponde a uma maior dinâmica daquele distrito em relação a Coimbra mas a mais uma deci­são política sem a mínima cor­respondência com a realidade do país e da região. Que tenha a coragem de assumir a responsa­bilidade de liderar a sua equipa seja quando prepara a recepção à líder do partido, seja para assumir a responsabilidade dos difíceis embates eleitorais que se avizinham Que assuma a defe­sa do distrito como primeira prioridade independentemente da sua subordinação profissio­nal para com o governo socialis­ta e para mm o ministro da eco­nomia em particular.

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