quarta-feira, 4 de março de 2009

Diário de Coimbra de 03/03/2009

Uma decisão estúpida e uma incapacidade notória
Ex-deputado (PS) da Assembleia Municipal de Coimbra

ESTOU DE ACORDO com o Dr. Carlos Encarnação. A transfe­rência da Direcção Regional de Economia do Centro para Aveiro é uma estupidez. Aliás, toda a gente em Coimbra e não só pensará o mesmo. Mais, muito gente pensou-o, há mes­es, logo que foi conhecida a intenção.
A grande questão é que des­de que a referida decisão foi indiciada não houve a cora­gem, a vontade e a determina­ção de a evitar. Uns por calcu­lismo, outros por forma de estar e de fazer política, outros ainda por inércia e alguns tal­vez por medo, calaram-se e não fizeram nada de verdadei­ramente significativo para evitar esta como outras deci­sões estúpidas, porque contrá­rias a qualquer lógica funcio­nal, administrativa e política no sentido da organização regional e nacional do Estado, com que Coimbra tem sido brindada.
Hoje, bem pode o Dr. Carlos Encarnação, manifestar o seu desacordo com a decisão. A pergunta a que tem de respon­der é o que ele enquanto Presi­dente da Câmara e a Câmara no seu todo fizeram para evitar este desfecho.
A contestação que agora faz mais não é do que a confirma­ção da sua incapacidade de prever e de actuar a favor da cidade. É ainda a constatação duma absoluta incapacidade política e de mobilização dos cidadãos para se oporem a uma decisão verdadeiramente estúpida, por múltiplas e boas razões.
Mas isso não é de estranhar dado que o Dr. Carlos Encar­nação começou o seu mandato a defender as decisões do poder central, como é bom lembrar, no caso do encerra­mento do Museu da Ciência e da Técnica, ficando desde logo marcado como um presidente passivo e mole que se remete a florentinos exercícios verbais sem consequência e que não incomodam qualquer minis­tro ou secretário de estado.
Resta agora chorar sob o lei­te derramado e relembrar o que tem sido o empobreci­mento institucional de Coim­bra nestes últimos anos. Tal­vez valha, contudo, já que estamos em período pré-elei­toral, lembrar que a cidade se defende antes de mais de den­tro e que ou há políticos com capacidade de luta e de empe­nhamento, que ponham a cidade acima de outros inte­resses, ou a degradação irá continuar.
Oito anos de poder autár­quico já não dão para enganar assim como não dá para enga­nar a estratégia de oposição cooperante que no fundo aca­bou por ser conivente com o estado a que chegámos. É sa­
bido que um bom governo também passa por uma boa oposição, e quando se reco­nhece o fracasso deste gover­no autárquico também se está a reconhecer o fracasso da es­tratégia e da prática seguida pela oposição.
Por outro lado também está provado à evidência que o acto eleitoral não é um mero acto circunstancial mas sim uma escolha com óbvias conse­quências e que há soluções e protagonistas que já demons­traram ad nauseam a sua inca­pacidade. Alguns confirma­ram o conhecido Princípio de Peter e demonstraram que atingiram, nesta administra­ção autárquica, o seu nível de incompetência, pelo que se percebe ser um enorme erro e um acréscimo de custos para a cidade a sua continuidade.
É óbvio que neste momento já ninguém acredita em mila­gres mas há sempre a expecta­tiva de que surjam ideias novas e novos protagonistas capazes de, em Coimbra, faze­rem da política um caminho para o futuro, vamos o que nos trazem as próximas semanas.
Neste momento, pela cidade, pela desconsideração de que mais uma vez foi alvo e pelos profissionais atingidos há um justo repúdio a fazer pela estú­pida decisão de transferir para Aveiro a Direcção Regional de Economia do Centro, assim como há uma justa condena­ção política a fazer daqueles que tendo responsabilidades não souberam ou não quise­ram lutar, em tempo útil, para que esta decisão não fosse avante.

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