Uma decisão estúpida e uma incapacidade notória
Ex-deputado (PS) da Assembleia Municipal de Coimbra
ESTOU DE ACORDO com o Dr. Carlos Encarnação. A transferência da Direcção Regional de Economia do Centro para Aveiro é uma estupidez. Aliás, toda a gente em Coimbra e não só pensará o mesmo. Mais, muito gente pensou-o, há meses, logo que foi conhecida a intenção.
A grande questão é que desde que a referida decisão foi indiciada não houve a coragem, a vontade e a determinação de a evitar. Uns por calculismo, outros por forma de estar e de fazer política, outros ainda por inércia e alguns talvez por medo, calaram-se e não fizeram nada de verdadeiramente significativo para evitar esta como outras decisões estúpidas, porque contrárias a qualquer lógica funcional, administrativa e política no sentido da organização regional e nacional do Estado, com que Coimbra tem sido brindada.
Hoje, bem pode o Dr. Carlos Encarnação, manifestar o seu desacordo com a decisão. A pergunta a que tem de responder é o que ele enquanto Presidente da Câmara e a Câmara no seu todo fizeram para evitar este desfecho.
A contestação que agora faz mais não é do que a confirmação da sua incapacidade de prever e de actuar a favor da cidade. É ainda a constatação duma absoluta incapacidade política e de mobilização dos cidadãos para se oporem a uma decisão verdadeiramente estúpida, por múltiplas e boas razões.
Mas isso não é de estranhar dado que o Dr. Carlos Encarnação começou o seu mandato a defender as decisões do poder central, como é bom lembrar, no caso do encerramento do Museu da Ciência e da Técnica, ficando desde logo marcado como um presidente passivo e mole que se remete a florentinos exercícios verbais sem consequência e que não incomodam qualquer ministro ou secretário de estado.
Resta agora chorar sob o leite derramado e relembrar o que tem sido o empobrecimento institucional de Coimbra nestes últimos anos. Talvez valha, contudo, já que estamos em período pré-eleitoral, lembrar que a cidade se defende antes de mais de dentro e que ou há políticos com capacidade de luta e de empenhamento, que ponham a cidade acima de outros interesses, ou a degradação irá continuar.
Oito anos de poder autárquico já não dão para enganar assim como não dá para enganar a estratégia de oposição cooperante que no fundo acabou por ser conivente com o estado a que chegámos. É sa
bido que um bom governo também passa por uma boa oposição, e quando se reconhece o fracasso deste governo autárquico também se está a reconhecer o fracasso da estratégia e da prática seguida pela oposição.
Por outro lado também está provado à evidência que o acto eleitoral não é um mero acto circunstancial mas sim uma escolha com óbvias consequências e que há soluções e protagonistas que já demonstraram ad nauseam a sua incapacidade. Alguns confirmaram o conhecido Princípio de Peter e demonstraram que atingiram, nesta administração autárquica, o seu nível de incompetência, pelo que se percebe ser um enorme erro e um acréscimo de custos para a cidade a sua continuidade.
É óbvio que neste momento já ninguém acredita em milagres mas há sempre a expectativa de que surjam ideias novas e novos protagonistas capazes de, em Coimbra, fazerem da política um caminho para o futuro, vamos o que nos trazem as próximas semanas.
Neste momento, pela cidade, pela desconsideração de que mais uma vez foi alvo e pelos profissionais atingidos há um justo repúdio a fazer pela estúpida decisão de transferir para Aveiro a Direcção Regional de Economia do Centro, assim como há uma justa condenação política a fazer daqueles que tendo responsabilidades não souberam ou não quiseram lutar, em tempo útil, para que esta decisão não fosse avante.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário