sábado, 28 de março de 2009

Será que só eu tenho cabeça de pinho?

"Não há qualquer justificação, nem em números, nem em termos geográficos", sublinhou Marli Antunes, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Centro, aludindo à reduzida actividade dos serviços a partir de iniciativas de Aveiro, e à sua desconcentração no seio da Região Centro.

No seu entendimento, "é com surpresa" a que se assiste a esta decisão do Governo, pois a DRE-Centro "está bem onde está", uma opinião corroborada no local pelos presidentes das câmaras de Coimbra (Carlos Encarnação), Penacova (Maurício Marques) e Batalha (António Lucas), bem como pela vereadora da autarquia de Leiria, Neusa Magalhães.

"O que está a acontecer é uma coisa perfeitamente inimaginável. É irracional e impossível de ser explicada", sublinhou, em apoio aos manifestantes, Carlos Encarnação, dizendo ser "o país que perde" com esta transferência, pelos custos que estão associados.

Ontem, na reunião da Câmara de Coimbra, o vereador Marcelo Nuno condenou os cerca de seis mil euros que o Estado deverá pagar por mês para transportar diariamente para Aveiro os funcionários que actualmente trabalham em Coimbra. "Oitenta famílias vão ver a sua vida transtornada", alertou o autarca, logo secundado pelo vereador comunista Gouveia Monteiro, que deixou uma pergunta: "Onde está a crise e a redução da despesa pública?".

Victor Baptista, vereador do PS, classificou de "ilógico que quem tem aqui [em Coimbra] esposas e filhos tenha agora que se deslocar para Aveiro, a não ser que tenha uma compensação". (com este já não sei se ria ou chore)

Também o presidente da Câmara da Batalha aludiu aos contratempos e aos custos que implicam a transferência para Aveiro, frisando haver uma duplicação da quilometragem para os empresários do seu município, e a obrigatoriedade de se deslocarem a Coimbra para obterem o licenciamento ambiental, e a Aveiro para o industrial.

O presidente da Câmara de Penacova afirmou que a DRE "tinha um corpo técnico excelente. As pessoas estavam motivadas. Mas, agora, estão desmotivadas porque não conseguem compreender esta decisão política. É o afastar de Coimbra de todos os serviços. Não se sabe com que intenção, mas não será a de melhorar o funcionamento dos serviços".

"Parece que foi um compromisso eleitoral. É uma decisão perfeitamente absurda", sustentou Mari Antunes, realçando que uma parte do distrito de Aveiro integra já a Direcção Regional de Economia do Norte.

Por outro lado, considera que o "Estado está a dar um mau exemplo" num momento de contenção e de crise, devido aos encargos com a transferência, estimados em 500 mil euros, e também por ser obrigado em Aveiro a arrendar instalações quando em Coimbra ocupa um edifício próprio, edificado há cerca de 15 anos para acolher os serviços.

Marli Antunes acredita que, com a luta dos trabalhadores, será possível impedir esta decisão.
Segundo dados apresentados na concentração, o distrito de Aveiro apenas contribui com 25% para as actividades da Direcção Regional de Economia do Centro, que representa o ministério da Economia e da Inovação com actividade nos domínios da indústria, recursos geológicos, energia, comércio e qualidades.

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