segunda-feira, 16 de março de 2009

Com amigos destes quem precisa de inimigos

Um "messias" ou a realidade nua e crua
Victor Baptista


Na opinião pública há a convicção de que Coimbra tem nos últimos tempos perdido espaço de influência no país e na região em que se insere. A tentação é imediatamen­te responsabilizar os políticos, os mais "cegos" responsabilizam os actuais, é o mais fácil. Somos, evidentemente, todos respon­sáveis, mas uns sê-lo-ão mais do que outros. A projecção de Coimbra, em outro tempo, enquanto cidade e distrito esteve em muito associada à sua Universidade, mas também as indústrias cerâmica, têxtil, da metalomecânica, do cimento, dos bens ali­mentares e do equipamento foram motores que sustentaram a influência desse tempo. Hoje, infelizmente, não há uma indús­tria forte em Coimbra e as grandes superfícies mataram um comércio tradicional pujante que, obviamente, também tínhamos. A Universidade sempre se fechou (muito tarde abriu-se, ain­da assim pouco...) e não compreendeu os novos tempos. Bem perto de nós, olhem a de Aveiro, o seu crescimento e a sua ca­pacidade de influência na região. Por lá tudo é mais fácil, até os doutoramentos são mais rápidos, enquanto em Coimbra tudo é muito dificil. Conheço muito boa gente, muito competente, que anda décadas para o conseguir e outros ainda o não conse­guiram. Há faculdades em que o doutoramento até parece que tem mais uma exigência: a " casta", tal é a relação familiar na órbita das cátedras.
Alguns teóricos, arautos da cidade de serviços, ajudaram a "matai" mais rápido ainda a indústria que tínhamos, sem que houvesse uma indústria de tecnologia capaz de amortecer o im­pacto e de absorver no mercado de trabalho os recursos huma­nos que entretanto fomos formando. Estes debandaram para outros espaços na procura de emprego.
Uma comparação: olhem para os recursos humanos forma­dos em Aveiro e para a força económica do distrito, com uma indústria forte em oliveira de Azeméis, Águeda, S. João da Ma­deira, Feira e Vale de Cambra. Que excelentes autarcas estes concelhos têm tido!
Perante as evidências, Coimbra procura um " messias" em vez de ver a realidade nua e crua. Lá vamos fulanizando, entre­temo-nos com o cidadão A ou B, que logo que se senta em llsboa se esquece de nós, em vez de assumirmos uma verda­deira estratégia de desenvolvimento territorial, e quando al­guém a tem, ou pensa que a tem, olham de lado, com descon­fiança.
Acusam-se os governos, ao ponto de contabilizarmos os seus membros e se os temos ou não de Coimbra. Em política nin­guém dá nada a ninguém. É necessária uma estratégia e sobre­tudo é necessário que Coimbra verdadeiramente cresça, por­que por agora só tem crescido na construção e sem qualidade.
Nesta realidade nua e crua, o distrito de Coimbra já elegeu 11 deputados, por diminuição da população residente passou para 10 e agora vai, segundo a comunicação social, passar a ele­ger nove, enquanto o distrito de Aveiro elegeu 15 e vai passar a eleger 16. Que diferença! A conclusão é óbvia: formamos recur­sos humanos mas têm de ir viver para outras bandas. A ver­dade é que Aveiro cresce e Coimbra é o que se vê. Depois ain­da lamentamos a saída da Direcção Regional de Economia pa­ra Aveiro. Ter-se conseguido que algumas novas tenham vindo para Coimbra não foi nada fácil. Se procurarem culpados é me­lhor, antes, todos fazermos um exame introspectivo.

Comentário: Sr. Victor Baptista, qual foi até agora o seu contributo para inverter essas situações. O Sr. parece viver noutra cidade, ou por outra, num outro planeta. Já que elogia tanto a cidade de Aveiro porque não faz o favor e vai viver para lá. Como diz que Aveiro vai eleger ainda mais deputados é uma boa oportunidade, prestando um grande serviço a Coimbra, ser candidato por Aveiro. Tenha vergonha na cara e nunca mais apareça a enganar os habitantes de Coimbra. Com amigos como o Sr. quem é que precisa de inimigos. Já agora, o que faz na Assembleia da República? Quer-me parecer que não está lá a defender os interesses de Coimbra mas sim um outro tacho qualquer.

1 comentário:

  1. A história repete-se mas com cores diferentes.
    O nosso "amigo" vitinho, do ps Coimbra, já sonha com o parlamento europeu.
    Está a vender a cidade que o elegeu para ganhar um lugar junto do "cherne" em Bruxelas.
    Extracto do Campeão das Províncias:
    “Henrique Fernandes, líder concelhio do PS/Coimbra e ex-vereador, terá manifestado alguma relutância em aceitar esse calendário e Victor Baptista tem procurado descartar o cenário de vir a ser indigitado, em Lisboa, para voltar a perfilar-se contra Carlos Encarnação (PSD).
    De resto, o deputado e vereador aspira a integrar a lista de candidatos socialistas ao Parlamento Europeu.
    Em entrevista concedida, recentemente, ao diário As Beiras, o presidente da Comissão Concelhia de Coimbra do Partido Socialista, citando um filósofo pré-socrático, disse que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio (em aparente alusão à circunstância de já ter passado pela vereação da praça de 08 de Maio), consideração interpretada por alguns camaradas como sinal de indisponibilidade.”

    Já que conhece tão bem a região e a DRE Centro, vou-lhe dizer quais os concelhos do distrito de Aveiro que não fazem parte da área de intervenção da DRE: Oliveira de Azeméis, S. João da Ma­deira, Feira e Vale de Cambra.
    Já agora, ainda bem que em Coimbra os doutoramentos são o que devem ser, se quiser um mais fácil aconselho-o a tirar na Moderna, há ao domingo e sempre pode fazer alguns exames extra.
    Desculpe, mas o seu líder mandou fechar esse estabelecimento de "des" ensino.
    Ainda bem que fala em "casta", nos últimos anos há uma que tem proliferado em Portugal, são os "traidores", no centro da parada marcham sós e ao contrário convictos que estão certos.
    Ponha-se no seu lugar, lute pelos que lhe confiaram o mandato e não ande reboque de interesses partidários, corporativos ou pessoais.
    Se não é por Coimbra, demita-se.
    Um Conimbricense.

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