quinta-feira, 12 de março de 2009

Poema de Miguel Torga



Miguel Torga


De seguro,

Posso apenas dizer que havia um muro

e que foi contra ele que arremeti

A vida inteira.

Não, nunca o contornei.

Nunca tentei

Ultrapassá-lo de qualquer maneira.

A honra era lutar

Sem esperança de vencer.

e lutei ferozmente noite e dia,

Apesar de saber

Que quanto mais lutava ,mais perdia

E mais funda sentia

A dor de me perder....

1 comentário:

  1. Torga é o meu poeta preferido...e, tenho quase a certeza mas posso estar enganado, não é funcionário da Dre-centro...tem porém o condão de, estando morto, estar vivo e me fazer reflectir.
    Curioso que também ele tinha vários caminhos, opções...contornar por exemplo...voltar para trás por exemplo...mas não...Arremeter!...a vida inteira!....e porquê?...para quê?...como ele diz não havia esperança de vencer...." a honra era lutar sem esperança de vencer"!...
    No extremo falava da própria vida...o muro é a morte que é certa e, para Torga, não havia esperança de vencer mas era uma honra estar vivo....
    Acho muito oportuno o post deste poema na altura em que tantos seguem tantas direcções...mas há honra suficiente para os que decidirem arremeter...ainda que sem esperança de vencer...a esses o meu abraço solidário

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