Miguel Torga
De seguro,
Posso apenas dizer que havia um muro
e que foi contra ele que arremeti
A vida inteira.
Não, nunca o contornei.
Nunca tentei
Ultrapassá-lo de qualquer maneira.
A honra era lutar
Sem esperança de vencer.
e lutei ferozmente noite e dia,
Apesar de saber
Que quanto mais lutava ,mais perdia
E mais funda sentia
A dor de me perder....
De seguro,
Posso apenas dizer que havia um muro
e que foi contra ele que arremeti
A vida inteira.
Não, nunca o contornei.
Nunca tentei
Ultrapassá-lo de qualquer maneira.
A honra era lutar
Sem esperança de vencer.
e lutei ferozmente noite e dia,
Apesar de saber
Que quanto mais lutava ,mais perdia
E mais funda sentia
A dor de me perder....

Torga é o meu poeta preferido...e, tenho quase a certeza mas posso estar enganado, não é funcionário da Dre-centro...tem porém o condão de, estando morto, estar vivo e me fazer reflectir.
ResponderEliminarCurioso que também ele tinha vários caminhos, opções...contornar por exemplo...voltar para trás por exemplo...mas não...Arremeter!...a vida inteira!....e porquê?...para quê?...como ele diz não havia esperança de vencer...." a honra era lutar sem esperança de vencer"!...
No extremo falava da própria vida...o muro é a morte que é certa e, para Torga, não havia esperança de vencer mas era uma honra estar vivo....
Acho muito oportuno o post deste poema na altura em que tantos seguem tantas direcções...mas há honra suficiente para os que decidirem arremeter...ainda que sem esperança de vencer...a esses o meu abraço solidário