DRE-Centro em greve contra transferência para Aveiro
Trabalhadores da Direcção Regional de Economia não se conformam com mudança para um distrito que contribui apenas com 20% do serviço
Aurora Trigo é funcionária pública há 35 anos e desde 199o que exerce funções na Direcção Regional de Economia do Centro (DRE-Centro). Todos os dias faz a viagem de Vila Nova Poiares para Coimbra (e vice-versa), mas nem quer imaginar como vai ser a sua vida quando tiver de fazer um trajecto mais longo, até Aveiro. Como ela, mais cerca de 70 colegas estão em vias de ter de se deslocar, uma vez que o Governo decretou transferir o serviço para Aveiro, uma decisão que está a causar polémica.
Ontem de manhã, os trabalhadores, em greve, concentraram-se junto às instalações na Rua Câmara Pestana e contaram com o apoio dos presidentes da Câmara Municipal de Coimbra, da Batalha e de Penacova, de uma vereadora de Leiria, dos presidentes das juntas de freguesia de Santo António dos Olivais, Torres do Mondego e Santa Cruz, e a ainda de Francisco Queirós, do Partido Comunista Português.
Entre todos, a opinião é unânime: «nada justifica esta decisão».
Na opinião de Carlos Encarnação, «o país é que perde» com esta «decisão completamente estúpida». «O que está a acontecer é absolutamente inimaginável, é irracional e impossível de ser explicado», frisou o edil de Coimbra, acrescentando que se estão a «desperdiçar recursos» num momento particularmente dificil para o país.
É que, entre os vários argumentos contra a mudança para Aveiro há o facto de as instalações de Coimbra, construídas de raiz e inauguradas em 1993, pertencerem ao Ministério de Economia, enquanto que aquelas que deverão acolher a nova sede da DRE-Centro são alugadas. Em suma, explicou Marli Antunes, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Centro, só os encargos com a transferência rondam os 500 mil euross.
Recorde-se que o primeiro-ministro chegou a dizer que a transferência não estava nos planos do Governo, vindo depois o detentor da "pasta" da Economia dizer o contrário, o que, segundo Carlos Encarnação, vem mostrar que os membros do executivo «não conversam ente si». Mais do que isso, Manuel Pinho «está a confundir o facto de ser cabeça de lista de um partido por Aveiro com o cargo de ministro», criticou
«Há coisas que são inexplicáveis», reforçou o autarca da Batalha realçando que haverá prejuízos vários para os empresários do distrito de Leiria, tal como também adiantou a vereadora da cidade do Liz, Neusa Magalhães.
«Vão para Aveiro, depois, para um licenciamento industrial precisam de um documento do Ambiente e vêm a Coimbra», com o trajecto a implicar nova viagem a Aveiro para completar o processo, exemplificou o autarca da Batalha, que apresentou os números de pedreiras existentes nos dois distritos: cerca de 90o em Leiria e aoo em Aveiro.
"Estão a desestruturar as nossas famílias"
Marli Antunes, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Centro, não hesita em afirmar que a opção do Governo «é um mau exemplo», especialmente porque «nada tem a ver com a operacionalidade», mas com questões ,exclusivamente políticas». A dirigente sindical destaca também que Aveiro «só contribui com 20% para as actividades desta Direcção Regional».
O mesmo destacou Lopes Sousa, director do serviço de energia daquele organismo, realçando que 80% dos utentes «vão ter de fazer deslocações mais extensas», quando a parte «mais industrializada» de Aveiro está já afecta à Direcção Regional do Norte
Portanto, o cenário de mudança «é algo que considero perfeitamente incompreensível [... ] É uma medida injusta», frisou. «Precisávamos que nos dessem uma única explicação. Não encontramos qualquer motivo que justifique», continuou, relembrando que está em causa o primeiro organismo da administração central a receber certificação.
Aliás, Marli Antunes frisou também que a decisão é uma «surpresa», uma vez que os indicadores de que dispõe revelam «satisfação» pelos serviços prestados. Assim sendo, com a transferência apontada para breve - há quem fale no final do mês, mas outros comentários indicam «dois/ três meses» -, a dirigente sindical alerta que além dos utentes, os «prejuízos» acrescem pata os trabalhadores, cuja maioria vive em Coimbra, embora haja uma fatia de outros destinos, como a Figueira da Foz, Poiares e até dos do distrito de Pombal
«Ficam com muito menos disponibilidade para as tarefas. Ficam muito mais cansados», alerta Marli Antunes. Isso mesmo perspectiva Cândida Silva, de Alfarelos, descrente na possibilidade da Direcção Regional facultar transporte aos funcionários. Com o passe do comboio a ultrapassar os 100 euros por mês, fazer a viagem de carro é algo impensável, porque veria os gastos disparar.
Entre os funcionários abrangidos, há também casais. Questionam-se como vão fazer com os filhos. «Estão a desestruturar as nossas famflias», lamentava uma trabalhadora, indignada.
Trabalhadores da Direcção Regional de Economia não se conformam com mudança para um distrito que contribui apenas com 20% do serviço
Aurora Trigo é funcionária pública há 35 anos e desde 199o que exerce funções na Direcção Regional de Economia do Centro (DRE-Centro). Todos os dias faz a viagem de Vila Nova Poiares para Coimbra (e vice-versa), mas nem quer imaginar como vai ser a sua vida quando tiver de fazer um trajecto mais longo, até Aveiro. Como ela, mais cerca de 70 colegas estão em vias de ter de se deslocar, uma vez que o Governo decretou transferir o serviço para Aveiro, uma decisão que está a causar polémica.
Ontem de manhã, os trabalhadores, em greve, concentraram-se junto às instalações na Rua Câmara Pestana e contaram com o apoio dos presidentes da Câmara Municipal de Coimbra, da Batalha e de Penacova, de uma vereadora de Leiria, dos presidentes das juntas de freguesia de Santo António dos Olivais, Torres do Mondego e Santa Cruz, e a ainda de Francisco Queirós, do Partido Comunista Português.
Entre todos, a opinião é unânime: «nada justifica esta decisão».
Na opinião de Carlos Encarnação, «o país é que perde» com esta «decisão completamente estúpida». «O que está a acontecer é absolutamente inimaginável, é irracional e impossível de ser explicado», frisou o edil de Coimbra, acrescentando que se estão a «desperdiçar recursos» num momento particularmente dificil para o país.
É que, entre os vários argumentos contra a mudança para Aveiro há o facto de as instalações de Coimbra, construídas de raiz e inauguradas em 1993, pertencerem ao Ministério de Economia, enquanto que aquelas que deverão acolher a nova sede da DRE-Centro são alugadas. Em suma, explicou Marli Antunes, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Centro, só os encargos com a transferência rondam os 500 mil euross.
Recorde-se que o primeiro-ministro chegou a dizer que a transferência não estava nos planos do Governo, vindo depois o detentor da "pasta" da Economia dizer o contrário, o que, segundo Carlos Encarnação, vem mostrar que os membros do executivo «não conversam ente si». Mais do que isso, Manuel Pinho «está a confundir o facto de ser cabeça de lista de um partido por Aveiro com o cargo de ministro», criticou
«Há coisas que são inexplicáveis», reforçou o autarca da Batalha realçando que haverá prejuízos vários para os empresários do distrito de Leiria, tal como também adiantou a vereadora da cidade do Liz, Neusa Magalhães.
«Vão para Aveiro, depois, para um licenciamento industrial precisam de um documento do Ambiente e vêm a Coimbra», com o trajecto a implicar nova viagem a Aveiro para completar o processo, exemplificou o autarca da Batalha, que apresentou os números de pedreiras existentes nos dois distritos: cerca de 90o em Leiria e aoo em Aveiro.
"Estão a desestruturar as nossas famílias"
Marli Antunes, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Centro, não hesita em afirmar que a opção do Governo «é um mau exemplo», especialmente porque «nada tem a ver com a operacionalidade», mas com questões ,exclusivamente políticas». A dirigente sindical destaca também que Aveiro «só contribui com 20% para as actividades desta Direcção Regional».
O mesmo destacou Lopes Sousa, director do serviço de energia daquele organismo, realçando que 80% dos utentes «vão ter de fazer deslocações mais extensas», quando a parte «mais industrializada» de Aveiro está já afecta à Direcção Regional do Norte
Portanto, o cenário de mudança «é algo que considero perfeitamente incompreensível [... ] É uma medida injusta», frisou. «Precisávamos que nos dessem uma única explicação. Não encontramos qualquer motivo que justifique», continuou, relembrando que está em causa o primeiro organismo da administração central a receber certificação.
Aliás, Marli Antunes frisou também que a decisão é uma «surpresa», uma vez que os indicadores de que dispõe revelam «satisfação» pelos serviços prestados. Assim sendo, com a transferência apontada para breve - há quem fale no final do mês, mas outros comentários indicam «dois/ três meses» -, a dirigente sindical alerta que além dos utentes, os «prejuízos» acrescem pata os trabalhadores, cuja maioria vive em Coimbra, embora haja uma fatia de outros destinos, como a Figueira da Foz, Poiares e até dos do distrito de Pombal
«Ficam com muito menos disponibilidade para as tarefas. Ficam muito mais cansados», alerta Marli Antunes. Isso mesmo perspectiva Cândida Silva, de Alfarelos, descrente na possibilidade da Direcção Regional facultar transporte aos funcionários. Com o passe do comboio a ultrapassar os 100 euros por mês, fazer a viagem de carro é algo impensável, porque veria os gastos disparar.
Entre os funcionários abrangidos, há também casais. Questionam-se como vão fazer com os filhos. «Estão a desestruturar as nossas famflias», lamentava uma trabalhadora, indignada.
A vida é fértil em oferecer-nos situações em que nada podemos fazer a não ser chorar a injustiça ou apenas seguir em frente. Situações em que o mínimo gesto não fará qualquer diferença. Bem vemos como a pobreza cresce a par com o desemprego, como o povo vai entregando as casas aos bancos, como a cada dia que passa conhecemos alguém que perdeu a Esperança….
ResponderEliminarMas por vezes, talvez raras vezes, a vida oferece-nos uma situação em que podemos fazer a diferença, em que um gesto pode ser tudo, em que podemos semear a Esperança que vai faltando. Vem isto a propósito da luta que na Direcção Regional do Centro do Ministério da economia em Coimbra os trabalhadores iniciaram. Mais de setenta trabalhadores poderão ser deslocados para Aveiro. São setenta famílias que vêem a sua vida radicalmente alterada com a justificação de uma decisão política, isto é, porque o Governo assim quer e ponto final. Não vale a pena argumentar que se serve melhor os objectivos dessa Direcção Regional ficando em Coimbra, que a deslocação para Aveiro acarreta despesa que o Estado não se pode dar ao luxo de gastar, que as famílias sofrerão com a distância….é uma decisão política e ponto final…
Por vezes, talvez raras vezes, a vida oferece-nos a oportunidade de fazer a diferença…está nas nossas mãos ajudar estes funcionários e as suas famílias. Assine a petição online em :
http://www.petitiononline.com/DREC/petition.html
Bem hajam