Nas eleições de 2005, Manuel Pinho, candidato PS por Aveiro, prometeu a transferência da Direcção Regional da Economia do Centro para Aveiro. E a promessa parece cumprir-se, ao contrário de tantas outras.
Nas eleições de 2005, Manuel Pinho, candidato PS por Aveiro, prometeu a transferência da Direcção Regional da Economia do Centro de Coimbra para Aveiro. E a promessa parece cumprir-se, ao contrário de tantas outras. Pinho assim o quer, e notificou já os cerca de 70 trabalhadores. A deslocação desta direcção regional não tem qualquer lógica funcional e é bem representativa de um estilo de govemação de "quero, posso e mando". A direcção regional abrange os distritos de Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Leiria, o sul do distrito de Aveiro e Mação no distrito de Santarém. A parte norte do distrito de Aveiro, onde se localizam os sectores de actividade mais representativos do distrito, calçado, têxtil, moldes, confecções, pertence já à área da Direcção Regional do Norte. A nova sede em Aveiro localizar-se-á assim num dos extremos da zona abrangida, bem distante dos concelhos de Idanha-a-Nova, Vila Velha de Ródão, Vila de Rei, Porto de Mós ou Mação.
A deslocação dos técnicos em serviço externo trará muito mais despesas para o Estado. O edifício da actual sede, em Coimbra, construído de raiz em 1993, alberga, sem custos de rendas pois é do próprio ministério, os laboratórios de metrologia e os sectores de Energia, Combustíveis, indústria e Qualidade. Em Aveiro, as instalações terão um custo de mais de 15 mil euros por mês de renda e não oferecem as mesmas condições. Estima-se que a mudança dos meios logísticos para Aveiro custará mais de meio milhão de euros.
Empresários e autarcas do interior e das regiões a sul de Coimbra, profundamente preocupados, manifestam a sua oposição à suposta descentralização. Afirmam os empresários que quando se deslocam a esta direcção regional muitas vezes têm ainda de tratar diversos assuntos na CCDR em Coimbra. Agora, terão de ir a Aveiro e a Coimbra.
Os trabalhadores, informados apressadamente, verão os seus encargos mensais significativamente acrescidos com as despesas de transporte e queixam-se dos inesperados transtornos nas suas vidas familiares. Sentem-se indignados com o desrespeito de que são vítimas.
Pinho em campanha prometeu e quer cumprir, pena que não cumpra outras promessas. Esta promessa de Pinho seria uma anedota se não fosse dramática para os trabalhadores, péssima para empresários e autarcas e ruinosa em termos da gestão dos recursos públicos. O capricho despesista de Manuel Pinho em tempo de crise é muito mais que irresponsável.
Se os trabalhadores não estiverem com as reformas serão trucidados, sentenciava, em Outubro, o secretário de Estado da Administração Pública no encerramento de um congresso. O ministro Pinho não espera, toma a iniciativa. Trucida a eito para satisfazer um capricho eleitoral, agradando a clientelas políticas. Perde Coimbra. E perde Aveiro. Mas alguém ganhará...
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