quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Noticia - Diário as Beiras de 17/02/2009

PROTESTO
Trabalhadores manifestam-se na rua

OS TRABALHADORES da Direcção Regional de Econo­mia do Centro fizeram greve e manifestaram-se na rua em protesto pela anunciada trans­ferência da sede de Coimbra para Aveiro. A concentração e greve dos cerca de 80 trabalha­dores que integram os servi­ços da DRE-Centro decorreu durante a manhã de ontem no exterior do edificio-sede, na tentativa de impedir a concre­tização da anunciada transfe­rência, apontada para o final do corrente mês.
"Não há qualquer justifica­ção, nem em números, nem em termos geográficos", sub­linhou Marli Antunes, dirigen­te do Sindicato dos Trabalha­dores da Função Pública do Centro, aludindo à reduzida actividade dos serviços a par­tir de iniciativas de Aveiro, e à sua desconcentração no seio da Região Centro. No seu en­tendimento, "é com surpresa" a que se assiste a esta decisão do Governo, pois a DRE-Cen­tro "está bem onde está", uma opinião corroborada no local pelos presidentes das câmaras de Coimbra e Batalha, respec­tivamente Carlos Encarnação e António Lucas, bem como pela vereadora da autarquia de Leiria, Neusa Magalhães.
Também António Lucas aludiu aos contratempos e aos custos que implicam a trans­ferência para Aveiro, frisando haver uma duplicação da qui­lometragem para os empresá­rios do seu município, e a obrigatoriedade de se desloca­rem a Coimbra para obterem o licenciamento ambiental, e a Aveiro para o industrial. “Pa­rece que foi um compromis­so eleitoral. É uma decisão perfeitamente absurda”, sus­tentou Mari Antunes, realçan­do que uma parte do distrito de Aveiro integra já a Direcção Regional de Economia do Nor­te.
Por outro lado, considera que o "Estado está a dar um mau exemplo" num momen­to de contenção e de crise, de­vido aos encargos com a trans­ferência, estimados em 500 mil euros, e também por ser obrigado em Aveiro a arren­dar instalações quando em Coimbra ocupa um edificio próprio, edificado há cerca de 15 anos para acolher os ser­viços.
Marli Antunes acredita que, com a luta dos trabalhadores, será possível impedir esta decisão, que obriga a custos acrescidos com a deslocação diária para Aveiro, uma situa­ção agravada pelos "salários baixos" praticados. Segundo dados apresentados na con­centração, o distrito de Aveiro apenas contribui com 20 por cento para as actividades da Direcção Regional de Econo­mia do Centro.

1 comentário:

  1. Ou seja, a razão está do lado dos trabalhadores. Porque insiste então o Ministro?...porque conta que os trabalhadores desistam, tenham medo, sucumbam à coacção de ter de dar de comer aos filhos, caiam na tentação de que não vale a pena, que sofrerão as consequências da sua ousadia...mas como dizia Manuel alegre:
    "Eu estava na cadeia em Maio de 1963. Tinha aprendido a solidão. Tinha aprendido que se pode gritar com todas as nossas forças quando se acorda a meio da noite com um grito na cabeça e um rato (talvez o medo?), roendo-nos o estômago, que ninguém, ninguém virá repor a paz dentro de nós. E, então, é a altura de saber se as traves mestras dum homem resistirão. Pois só a tua voz, amigo, responderá ao teu apelo torturado na noite. E, nessa hora (a mais solitária das horas), se conseguires cerrar os dentes, dar um murro na parede, acender um cigarro, se conseguires vencer esse encontro com a solidão no mais fundo de ti próprio, com que alegria, com que estranha alegria, na manhã seguinte..."

    Pois é a altura de saber se as traves mestras de um Homem resistirão...

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