O barramento da comunicação social que ocorreu na Direcção Regional do Centro no dia 26-05-2009 fez com que eu me lembrasse da ditadura de toda a minha vida enquanto criança e jovem.
Nasci e cresci nos Palácios dos Confusos, e só mais tarde, é que me apercebi da confusão que era aquela rua, isto porque, em todo o seu redor eram muitas as repúblicas de estudantes, e também a cantina da Associação Académica, enfim, em tempos conturbados só se ouvia gritos estudantis, fujam que vem aí a ramona (pide).
Na escola primária, as crianças apanhavam por ser burras (diziam os professores) e pobres,
Lembro-me que nos anos 60, aquando da luta dos estudantes os mesmos por vontade própria se fecharam no edifício da cantina, das muitas lutas travadas entre eles de dentro do edifício e a pide que tomava conta deles do lado de fora, lembro também, que havia um senhor que era pai de uma grande amiga que tomava conta deles, até achei que era uma pessoa importante, (ignorância).
O meu pai pertencia à classe metalúrgica, e como muitos se recordam, essa classe era classificada de COMUNISTAS (que horror), ele tinha muitos amigos que eram e ainda hoje são grandes lutadores apesar das suas idades, lembro também de quando ele ouvia a BBC, lá estava a pide a chatear o pobre do homem.
Recordo sem saudade as vezes que eu e minha mãe fomos visitar os amigos do meu pai quando estavam doentes ou internados, e lá estava a pide a controlar, porque o pobre do homem não o podia fazer, porque tinha 7 bocas para dar de comer.
Com 12 anos tive a felicidade de trabalhar numa grande livraria de Coimbra “Atlântida Editora”. Aí conheci grandes lutadores, progressistas liberalistas poetas escritores e também grandes fascistas, com apenas 12 anos comecei a saber o que era a liberdade de expressão (camuflada), senti muitas vezes olhares atentos ao que se fazia e dizia naquela livraria, lembro-me de quando a pide entrava em fúria na livraria a resgatar os livros que o então regime achava que não eram próprios de leitura.
Lembro também dos anos 69 das grandes lutas estudantis, vivi na pele essa luta, resgatei muitos estudantes que fugiam da polícia, deixando-os entrar na rua Ferreira Borges, com saída pela rua Fernandes Tomás.
Vem o 25 de Abril, que felicidade, já se podia tudo, confesso, que algumas pessoas não estavam preparadas para a liberdade, mas mesmo assim lá fomos andando.
Volvidos que são 35 anos do 25 de Abril, estamos de novo no fascismo, não podemos falar, não podemos gritar porque estamos amordaçados. No trabalho, a corrente mais corrente é o medo, medo de sermos mal classificados, de não progredirmos na carreira, medo dos próprios colegas que são autênticos pides (alguns), medo de ter medo.
Quanto a mim, aprendi a ter medo das sombras, mas não tenho medo do meu pensamento, viva a liberdade de expressão, viva a amizade entre homens e mulheres, viva a liberdade de pensamentos positivos, viva o 25 de Abril sempre.
Um abraço de liberdade para os que tiveram a paciência de lerem um pouco da minha história.
MJA
Na escola primária, as crianças apanhavam por ser burras (diziam os professores) e pobres,
Lembro-me que nos anos 60, aquando da luta dos estudantes os mesmos por vontade própria se fecharam no edifício da cantina, das muitas lutas travadas entre eles de dentro do edifício e a pide que tomava conta deles do lado de fora, lembro também, que havia um senhor que era pai de uma grande amiga que tomava conta deles, até achei que era uma pessoa importante, (ignorância).
O meu pai pertencia à classe metalúrgica, e como muitos se recordam, essa classe era classificada de COMUNISTAS (que horror), ele tinha muitos amigos que eram e ainda hoje são grandes lutadores apesar das suas idades, lembro também de quando ele ouvia a BBC, lá estava a pide a chatear o pobre do homem.
Recordo sem saudade as vezes que eu e minha mãe fomos visitar os amigos do meu pai quando estavam doentes ou internados, e lá estava a pide a controlar, porque o pobre do homem não o podia fazer, porque tinha 7 bocas para dar de comer.
Com 12 anos tive a felicidade de trabalhar numa grande livraria de Coimbra “Atlântida Editora”. Aí conheci grandes lutadores, progressistas liberalistas poetas escritores e também grandes fascistas, com apenas 12 anos comecei a saber o que era a liberdade de expressão (camuflada), senti muitas vezes olhares atentos ao que se fazia e dizia naquela livraria, lembro-me de quando a pide entrava em fúria na livraria a resgatar os livros que o então regime achava que não eram próprios de leitura.
Lembro também dos anos 69 das grandes lutas estudantis, vivi na pele essa luta, resgatei muitos estudantes que fugiam da polícia, deixando-os entrar na rua Ferreira Borges, com saída pela rua Fernandes Tomás.
Vem o 25 de Abril, que felicidade, já se podia tudo, confesso, que algumas pessoas não estavam preparadas para a liberdade, mas mesmo assim lá fomos andando.
Volvidos que são 35 anos do 25 de Abril, estamos de novo no fascismo, não podemos falar, não podemos gritar porque estamos amordaçados. No trabalho, a corrente mais corrente é o medo, medo de sermos mal classificados, de não progredirmos na carreira, medo dos próprios colegas que são autênticos pides (alguns), medo de ter medo.
Quanto a mim, aprendi a ter medo das sombras, mas não tenho medo do meu pensamento, viva a liberdade de expressão, viva a amizade entre homens e mulheres, viva a liberdade de pensamentos positivos, viva o 25 de Abril sempre.
Um abraço de liberdade para os que tiveram a paciência de lerem um pouco da minha história.
MJA

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